Hospital do Servidor Público Municipal

Quinta-feira, 30 de Abril de 2026 | Horário: 17:02
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HSPM Responde: Obesidade infantil é doença crônica que está aumentando a uma taxa sem precedentes

Crianças estarão entrando na idade adulta já propensas à AVC, diabetes e doenças cardíacas.

A obesidade infantil está aumentando a uma taxa sem precedentes. De acordo com o Novo Atlas Mundial de Obesidade 2026, estima-se que aproximadamente 177 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 19 anos viviam com obesidade em 2025, com previsão de subir para 228 milhões em 2040. Isso equivale a um aumento de 8,7% para 11,9% da população mundial de crianças e adolescentes com obesidade.

No Brasil, estima-se haver 16,5 milhões de crianças e adolescentes com sobrepeso e obesidade em 2025, correspondendo quase a 40% do total de indivíduos desta faixa etária. O impacto na obesidade infantil inicia-se antes do nascimento, sabendo-se que as gestantes obesas - que correspondem a 58,8% das grávidas - têm maior predisposição para gerar filhos com propensão à obesidade.

Decorrente de excesso de tecido adiposo no organismo, esta doença crônica é associada a morbidades (hipertensão arterial, dislipidemia, diabetes, esteatose hepática e outras), que comprometerão a qualidade de vida. Além disso, a obesidade infantil acarreta impactos psicossociais. Para evitar tais consequências, a prevenção é o melhor remédio e fazer um bom monitoramento dos dados antropométricos da criança é o primeiro passo para identificar o excesso de peso. Para entender mais sobre a obesidade infantil acompanhe a entrevista feita com a Dra. Ana do Rosário Reguengo Correia Lau, Médica da Clínica de Pediatria do HSPM.

1. O que causa obesidade infantil?
A obesidade infantil é uma doença crônica de origem multifatorial. Vários riscos podem ser responsáveis, incluem: fatores genéticos, fatores pré-natais (obesidade parental, ganho excessivo de peso na gestação), fatores pós-natais (peso ao nascer, desmame precoce), fatores ambientais / nutricionais - diminuição da prática de atividades físicas (sedentarismo). Além disso, erros alimentares com alta ingesta de alimentos ricos em açúcares simples e gordura (alta densidade energética), consumo de alimentos processados e ultraprocessados, bebidas açucaradas e os tamanhos exagerados das porções, são os principais fatores associados.

2. Quais são os problemas gerados pela obesidade? A obesidade pode contribuir para aparecimento de hipertensão arterial, diabetes melitus, dislipidemia (alteração de colesterol e triglicerídeos), esteatose (aumento de gordura no fígado). Contribui ainda para alterações ortopédicas e alterações do sono. Crianças e adolescentes com obesidade sofrem bullying podendo causar ansiedade, depressão e isolamento.

3. Fatores genéticos desencadeiam obesidade?
Sim, fatores genéticos desencadeiam obesidade infantil, contribuindo com 40% a 70% do risco individual de desenvolver a doença. O peso dos pais é um forte preditor, com as crianças apresentando maior risco de desenvolver obesidade quando pelo menos um dos pais a tem, sendo que crianças com dois pais obesos têm um risco 12 vezes maior.

4. Como combater a obesidade infantil? Os cuidados devem se iniciar com a saúde da gestante no pré-natal, com orientação nutricional adequada e da prática do aleitamento materno exclusivo pelo menos por seis meses (ideal até os dois anos). A criança deve ser estimulada a consumir alimentos variados in natura e minimamente processados e o tamanho das porções adequadas. É importante também a prática de atividades físicas, com estímulo de brincadeiras ao ar livre e restrição de exposição a telas.

5. O peso da mãe durante a gravidez influencia na obesidade da criança?
Sim. O peso materno é um forte preditor de obesidade pediátrica. O IMC (índice de massa corpórea) materno possui maior relevância do que o paterno na obesidade criança / adolescência. A obesidade materna mais que duplica o risco de obesidade na vida adulta.

6. O envolvimento da família ajuda no tratamento de crianças obesas?
Sim. Os pais com uma dieta saudável incentivam a criança a adotar hábitos alimentares saudáveis. Os pais também são essenciais na vigilância da alimentação dos filhos e na continuação do tratamento contra a obesidade. A família deve incentivar mais refeições saudáveis, atividade física, menos tempo nas telas e o consumo reduzido de ultraprocessados.

7. Crianças podem ser consideradas obesas a partir de que idade?
Os critérios diagnósticos são aplicados desde o nascimento. Para crianças com menos de 5 anos, a obesidade é definida como peso para altura superior a 3 desvios-padrão acima da média (OMS). Já para crianças e adolescentes de 5 a 19 anos, é determinada como Índice de Massa Corporal (IMC) para idade superior a 2 desvios-padrão acima da média. Entretanto rastreamento sistemático e a avaliação clínica formal para obesidade são mais comumente iniciados aos 2 anos de idade, com recomendação de rastreamento anual a partir dos 6 anos. A prevalência de obesidade aumenta com a idade.

8. Obesidade na infância desencadeia em danos que não sejam físicos?
A obesidade acarreta danos sociais e emocionais, uma vez que influencia no surgimento de depressão, isolamento social, solidão e bullying.

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