Secretaria Municipal da Saúde
Dia Nacional da Saúde: como a rede municipal acompanha o paciente em cada etapa do cuidado

Na rede municipal, a jornada do paciente é integrada: Atenção Básica, especialistas, hospitais e serviços de reabilitação trabalham juntos para garantir assistência do paciente (Acervo/Ascom)
Quando Patrícia Matias Pereira, 46 anos, começou a conviver com hemorragias intensas durante o período menstrual, cólicas incapacitantes e dores que comprometiam sua rotina de trabalho como cuidadora de idosos, não imaginava que estava iniciando uma jornada que transformaria sua vida.
Foi na Unidade Básica de Saúde (UBS) Satélite Santa Bárbara, na zona leste da capital, que encontrou o primeiro atendimento. Após acolhimento e avaliação clínica, iniciou uma investigação que levou ao diagnóstico de endometriose. Da UBS, foi encaminhada para a ginecologista, realizou exames e, em julho do ano passado, passou por uma cirurgia no Hospital Municipal São Luiz Gonzaga. Da avaliação médica ao diagnóstico e à cirurgia foram cerca de três meses. Desde então, segue em acompanhamento na própria unidade de saúde.
O quadro exigiu uma cirurgia de maior complexidade, com a retirada do útero e do colo do útero. Hoje, recuperada, ela afirma que também melhorou a qualidade de vida. "Eu sou uma nova pessoa. Mudou completamente a minha vida social, o meu trabalho, a convivência com meus filhos e com a minha neta. Eu aconselho qualquer mulher a procurar a UBS, porque ela acolhe, direciona e acompanha a gente durante todo o tratamento", conta.
O que ficou na lembrança dessa cirurgia foi o atendimento recebido. "Eu estava fragilizada e ser tratada com tanto cuidado fez toda a diferença na minha recuperação. A gente chega com medo de fazer uma cirurgia, mas a experiência foi completamente diferente do que eu imaginava. Fui muito bem tratada desde a recepção até a alta.” De volta à UBS, retomou o acompanhamento com a ginecologista, que solicitou novos exames para monitorar sua recuperação. A experiência de Patrícia traduz o funcionamento da rede municipal de saúde: um cuidado que começa na Atenção Básica, passa pelos serviços especializados e hospitais e continua após o tratamento.
A porta de entrada do SUS
Essa jornada começa em uma das 483 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) espalhadas pela cidade. Nelas, a população encontra consultas médicas e de enfermagem, atendimento multiprofissional, vacinação, acompanhamento de gestantes, crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas. Atualmente, cerca de 86% das necessidades de saúde da população são resolvidas na própria Atenção Básica, evitando encaminhamentos desnecessários para outros níveis de atenção.
Para a gerente da UBS Vila Rubi, zona sul, Danielle Monteiro Varanda, o cuidado começa antes mesmo da consulta. "O paciente é recebido pela equipe de enfermagem, passa por uma escuta qualificada e, a partir das necessidades identificadas, é direcionado para consulta médica, enfermagem, equipe multiprofissional ou outro serviço necessário. É assim que construímos um cuidado continuado para cada paciente."
Inaugurada em janeiro deste ano para atender uma região que durante décadas enfrentou um vazio assistencial, a UBS Vila Rubi já demonstra o impacto da ampliação da rede. Ao longo do primeiro semestre deste ano, realizou 7.700 consultas médicas, 2.873 consultas de enfermagem, 1.430 atendimentos multiprofissionais e mais de 20 mil visitas domiciliares de agentes comunitários de saúde, os ACSs, além de atendimentos odontológicos, visitas domiciliares e atividades coletivas de promoção da saúde. Segundo Danielle, a Estratégia Saúde da Família (ESF) fortaleceu o vínculo com a comunidade e ampliou o acesso aos serviços. "Construímos uma relação de confiança que garante o acompanhamento ao longo da vida, especialmente dos idosos e das pessoas com doenças crônicas."
Quando o cuidado precisa avançar
Quando há necessidade de atendimento especializado, a própria UBS coordena os encaminhamentos. Como aconteceu com Patrícia. Após exames que confirmaram a endometriose, ela foi inserida na regulação para cirurgia. "Foi tudo muito rápido. Em pouco tempo eu já estava com a cirurgia marcada. A própria UBS entrou em contato quando surgiu a vaga. Hoje continuo voltando lá para fazer meu acompanhamento."
Esse fluxo entre Atenção Básica, Atenção Especializada e hospitais vem sendo fortalecido nos últimos anos. Entre 2021 e 2025, as consultas médicas especializadas cresceram 30,2%, passando de 1.751.387 para 2.281.502, os exames regulados aumentaram 32,9% e houve ampliação expressiva das cirurgias. Na assistência hospitalar, as cirurgias realizadas em regime de internação cresceram 126,6% no período, indo de 17.926 em 2021 para 40.626 em 2025, enquanto os procedimentos ambulatoriais aumentaram 225,3%, passando de 42.692 para 138.882).
Uma rede que acompanha o paciente
A jornada não termina após a cirurgia. O retorno à UBS garante o acompanhamento clínico, a realização de novos exames, o controle de doenças crônicas e a continuidade do cuidado.
Esse modelo também aparece na história da tecelã aposentada Luíza Fleuripes da Silva, de 78 anos. Moradora da Vila Rubi há mais de quatro décadas, ela conta que, antes da inauguração da UBS, precisava se deslocar para outra região para conseguir atendimento. Logo nos primeiros dias de funcionamento da unidade, procurou ajuda por causa da perda auditiva. Foi encaminhada ao especialista, realizou exames e, em breve, receberá um aparelho auditivo, iniciando a adaptação em um Centro Especializado em Reabilitação (CER). "Agora eu tenho sossego, paz e confiança. Tudo o que eu preciso encontro aqui. Eu sei que, se precisar de alguma coisa, a equipe me conhece e me encaminha para onde for necessário."
Além do acompanhamento clínico, Luíza recebe visitas da agente comunitária de saúde, faz fisioterapia e mantém vínculo permanente com a equipe da UBS. Essa organização permite que o paciente percorra diferentes níveis de atenção sem perder o acompanhamento da Atenção Básica, responsável por coordenar o cuidado ao longo da vida. Quando necessário, esse atendimento chega até a casa do paciente por meio das equipes de Atenção Domiciliar (EMAD), que assistem pessoas com limitações de mobilidade, doenças crônicas complexas e pacientes em cuidados paliativos.
Mais do que oferecer consultas, exames ou cirurgias, a rede municipal busca garantir que cada cidadão encontre uma porta de entrada, um caminho assistencial organizado e uma equipe preparada para acompanhá-lo em todas as fases da vida.
No Dia Nacional da Saúde, as histórias de Patrícia e Luíza mostram que, por trás dos milhões de atendimentos realizados todos os anos, existe uma rede integrada que transforma acesso em cuidado, e acolhimento em qualidade de vida.
"A saúde municipal de São Paulo tem como maior diferencial a capacidade de estar presente em todas as regiões da cidade e acompanhar o paciente ao longo de toda a sua jornada. São mais de mil equipamentos integrados, que permitem que o cuidado tenha início na Unidade Básica de Saúde e, sempre que necessário, avance para especialistas, exames, hospitais e reabilitação, retornando depois à Atenção Básica para o acompanhamento contínuo. Essa capilaridade e essa integração, além de recursos tecnológicos como o aplicativo e-saúdeSP, com múltiplas funcionalidades para os usuários, tornam a rede mais ágil, eficiente e resolutiva, garantindo acesso qualificado e cuidado humanizado para milhões de paulistanos”, pontua o secretário municipal da Saúde, Luiz Carlos Zamarco.
Zamarco destaca que, desde 2021, a cidade foi contemplada com 114 equipamentos de saúde, sendo 76 novos e 38 novas instalações. Ao todo, são mais de 1.000 equipamentos em todas as regiões da cidade de São Paulo.
Veja como é constituída hoje a saúde pública na cidade de São Paulo:
Atenção Básica
483 Unidades Básica de Saúde, todas com eMulti (Equipes Multiprofissionais na Atenção Primária à Saúde), sendo 349 no modelo Estratégia Saúde da Família, e 447 equipadas com consultórios odontológicos
35 Centros Especializados em Reabilitação (CERs)
31 Centros de Especialidades Odontológicas (CEOs)
2 Centros de Cuidados Odontológicos
6 Unidades Odontológicas Móveis (UOMs)
63 Equipes multidisciplinares de atenção domiciliar (Emads)
14 Unidades de Referência da Saúde do Idoso (Ursis)
70 Equipes Programa Acompanhante de Idosos (PAI)
6 Centros de Referência em Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (CRPICS)
104 Centros de Atenção Psicossocial (Caps)
23 Centros de Convivência e Cooperativa (Ceccos)
74 residências terapêuticas
16 Unidades de Acolhimento Adultos e Infantojuvenil (UAA e UAI)
2 Serviços de Cuidados Prolongados de Álcool e Drogas
Atenção Especializada
7 Assistências Médicas Ambulatoriais (AMAs) 12h
17 Hospitais Dia (HDs)
11 Ambulatórios de Especialidades
13 Assistências Médicas Ambulatoriais de Especialidades (AMAs-E)
6 Unidades de Apoio a Diagnose e terapia
6 Centros de Referência de Dor Crônica (CR Dor)
2 Centros de Exames da Mulher (CEMs)
1 Centro de Referência de Saúde Integral para População de Travestis e Transsexuais (CR POP-TT)
10 Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) em IST/Aids
17 Serviços de Atendimento Especializado em IST/Aids (SAEs)
1 Unidade de Prevenção em HIV
Vigilância em Saúde
39 unidades de Vigilância em Saúde
Atenção às Urgências e Emergências (unidades pré-hospitalares)
3 Pronto-Socorros Municipais (PSs)
3 Pronto-Atendimentos (PAs)
12 Assistências Médicas Ambulatoriais (AMAs) 24h
35 Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs)
Atenção Hospitalar
27 Hospitais Municipais (HMs)
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